O setting analítico não é apenas um conjunto de regras formais. É uma estrutura que sustenta o trabalho — que diz ao sujeito, por meio do enquadre, que ali há um lugar para ele. Um lugar onde algo pode acontecer.
Na transição para o atendimento online, a questão que se impõe não é se o setting se mantém, mas como. O que muda é a moldura, não a função. O enquadre se reconfigura, mas sua finalidade — criar condições para que o trabalho analítico aconteça — permanece intacta.
Ambiente acolhedor, no contexto virtual, começa antes da sessão: na escolha da plataforma, na estabilidade da conexão, na atenção ao ruído de fundo. Mas vai além do técnico. É também a postura do analista, a qualidade da escuta, a capacidade de sustentar o silêncio por uma tela.
O que o paciente encontra, do outro lado, não é apenas uma imagem — é uma presença. E presença, como ensinava Lacan, é efeito de estrutura. O ambiente acolhedor não se decora: se constrói, sessão a sessão, palavra a palavra.