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SilĂȘncios que Falam: Clarice e Bergman na Fronteira do Eu

  • Foto do escritor: Jenyffer Kuhsler
    Jenyffer Kuhsler
  • 7 de ago. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 10 de ago. de 2025

Clarice escreve Ângela como Bergman retrata Alma. Ambas invençÔes nascidas do silĂȘncio, esse lugar onde o eu fragmenta. Um grita, outro cala. Um atua, outro nĂŁo.


Em Persona, Elizabeth, a atriz que cala, e Alma, a enfermeira que fala, se fundem e se rasgam, numa coreografia preto e branco entre o desejo de ser e o pavor de deixar de ser.


Em Um sopro de vida, Clarice escreve de sua onipotĂȘncia como autor, “Vejo tudo, ouço tudo, sinto tudo. E me mantenho fora de ambientes intelectualizados que me confundiriam” e complementa: “Sou sozinho no mundo. Ângela Ă© a minha companheira Ășnica. É preciso que me compreendam: eu tive que inventar um ser que fosse todo meu. Acontece, porĂ©m, que ela estĂĄ ganhando força demais.“


Como Ângela, Alma surge da urgĂȘncia de dar forma ao que quer falar, gritar, existir. Mas, ao mesmo tempo, sente medo, angĂșstia.

Elizabeth e Clarice, nessas obras, nĂŁo falam e nem entram, mas sĂŁo carne. Figuras imĂłveis, de presenças marcantes, ao mesmo tempo que distantes. atentas. alertas. Elizabeth ocupa, mas Ă© Alma quem fala; Clarice escreve, mas Ă© Ângela quem sente.


Um ensaio sobre o desamparo e a tĂȘnue fronteira entre eu e o outro. Clarice e Bergman sabem que desmontar personagem nĂŁo Ă© simples. Mas talvez ao reconhecĂȘ-lo como defesa e nĂŁo destino, algo mais verdadeiro possa emergir. NĂŁo como verdade total, mas uma fresta. Uma abertura para existir.

 
 
 
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